A última pesquisa CNI-Ibope confirma o que se pode observar nas ruas. O prestígio de Dilma continua alto. Mesmo depois da queda de cinco ministros por corrupção, ou mesmo assumindo medidas como o corte de R$ 50 bilhões nos gastos públicos, ela mantém sua popularidade. Dilma continua capitalizando o crescimento econômico e o apoio das principais direções do movimento de massas: CUT, Força Sindical, PT, PCdoB, UNE e MST. A maioria dos trabalhadores acredita que Dilma é um governo dos trabalhadores e se sente representada por ela. Infelizmente, isso não é verdade. Deveriam tirar conclusões das experiências dos que entraram em greve. Greves justas, em luta por aumentos salariais. Uma parte importante desses trabalhadores tem como adversário o próprio governo, como no caso dos Correios ou dos trabalhadores dos bancos estatais, Banco do Brasil e Caixa Econômica. Se Dilma fosse de verdade um governo dos trabalhadores, como você acha que ela deveria encarar as greves? Logicamente deveria apoiá-las, certo? Mas ela não apoiou. Então, pelo menos não deveria reprimi-las para manter a coerência da origem do PT e da CUT, certo? Mas, ao contrário, o governo orientou o corte do ponto e entrou na justiça contra os grevistas dos Correios. Os bancários têm que enfrentar o “interdito proibitório”, uma manobra jurídica do governo e dos banqueiros para impedir e reprimir os piquetes. Dilma tem essa postura, como parte da atitude da burguesia, preocupada com a evolução da crise econômica internacional. Querem negar aumentos reais para defende os lucros ainda maiores para as empresas, na preparação para prováveis efeitos da crise no Brasil. Em cada passo de sua administração vemos laços fortíssimos do governo com as grandes empresas. Já vimos como o governo apoiou a privatização do Correios, para formar a “Correios S.A.”. Já vimos como Lula e Dilma ampliaram a manutenção das mais altas taxas de juros do mundo, beneficiando os banqueiros. A dureza do governo se enfrenta com a radicalização dos trabalhadores, que querem aumentos salariais. O choque da base com o governo é tão forte que, em uma passeata unificada dos trabalhadores dos Correios e bancários em São Paulo, dirigida pela CTB e CUT governistas, os trabalhadores cantavam: “A greve continua; Dilma a culpa é sua”. Evidentemente, não se pode confiar nas direções sindicais governistas. Estão à frente das mobilizações para poder freá-las mais adiante. Falam contra a política econômica do governo para poder dirigir os trabalhadores revoltados. Mas, assim que puderem vão dar um golpe no movimento para poder servir ao governo. Temos de apoiar os trabalhadores em suas greves e exigir de Dilma a anulação da privatização dos Correios e a estatização do sistema financeiro.
E agora os petroleiros. A Petrobras é uma estatal considerada pelo povo brasileiro como motivo de orgulho. Não só por sua importância econômica, mas pela conquista da auto-suficiência em petróleo. Agora, com o pré-sal, existe uma expectativa de que isso possa alavancar o crescimento do país e melhorar a vida do povo. No entanto, a verdade é outra. A empresa está sendo privatizada desde os tempos de FHC. Lula e Dilma seguem nessa toada com os leilões que, agora, vão se estender ao pré-sal. O povo brasileiro não está sendo beneficiado com a auto-suficiência no petróleo. Em uma situação bem diferente de outros países ricos em petróleo, a gasolina poderia custar menos de R$ 1. É verdade que o pré-sal vai gerar lucros gigantescos, mas quem ganha são os acionistas estrangeiros que vão enriquecer ainda mais. Os petroleiros estão em campanha salarial. As direções sindicais da Federação Única dos Petroleiros (FUP/CUT) querem evitar a luta, para ajudar o governo Dilma. Para isso está tentando aprovar um acordo rebaixado, sem aumento salarial e sem luta.Vamos apoiar a justa luta dos petroleiros para ter aumentos reais em seus salários. E exigir de Dilma uma Petrobras 100% estatal para que possamos reverter seus lucros em benefícios para o povo brasileiro.
fonte: Editorial do Opinião Socialista 433
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