REJEITAR A PROPOSTA DOS BANQUEIROS/GOVERNO DILMA E FORTALECER A GREVE!
Na última sexta-feira, imediatamente após o término da negociação entre o Comando Nacional e os banqueiros/Governo Dilma, iniciou-se uma boataria sobre o término da greve dos bancários. A grande imprensa – que tem dono e é financiada pelos bancos – procurou divulgar o fim da nossa greve, a partir de um “acordo” selado entre os patrões e a CONTRAF/CUT
É evidente que o Comando Nacional da CONTRAF/CUT prometeu aos banqueiros e ao Governo Dilma empreender todos os esforços para acabar com a greve e isto fica muito claro quando vemos as matérias publicadas nos sites da CONTRAF e dos sindicatos ligados à CUT. Em todos esses espaços tenta se passar uma idéia de um “excelente” acordo, além de uma política de terrorismo em relação ao TST, para que os bancários sintam-se intimidados a não mais fazer a greve.
Mas, quem realmente deve decidir sobre os rumos da nossa greve são os trabalhadores em luta e não o Comando que negocia em nosso nome, mas não é escolhido pela base. Por isso, nós, do Movimento Nacional de Oposição Bancária (MNOB/ bancários da CSP-Conlutas), queremos apresentar os motivos pelos quais defendemos a rejeição das propostas geral e específicas, fazendo um chamado para que os bancários votem pela continuidade da greve:
1)O índice de 9% sobre as verbas salariais e benefícios é a metade do que conquistamos no ano passado.
Considerando a inflação do período, a proposta significa somente 1,5% de aumento real, contra 3,08% do acordo assinado em 2010. Segundo os números apresentados pela CONTRAF/CUT, a greve desde ano foi maior que a do ano passado. Também foi muito maior o aumento do lucro dos bancos. O do BB, por exemplo, cresceu 15,3% em 2010 e 23,9% no 1° semestre de 2011 em relação ao mesmo período do ano anterior, A economia do país também cresceu e o setor financeiro foi o que mais lucrou. Então, porque devemos aceitar reajuste inferior aos conquistados por categorias de setores menos lucrativos, como os metalúrgicos, cujos salários foram reajustados, em média, em 10% neste ano?
2)A proposta de aumento no piso não tem reflexo nas demais referências!
A Caixa apresentou uma proposta de reajuste de 11,55% no piso salarial. Isto significa que após o período de estágio probatório, o bancário passará para a referência 203 do atual PC S (R$ 1.826,00). Embora seja uma proposta superior à do piso do BB e próxima do piso oferecido pela FENABAN, este reajusta não é aplicado para as demais referências posteriores. Por esta proposta, não haverá reajuste nos demais insterstícios do PC S, de modo que a grande maioria dos empregados (todos os que têm mais de 2 anos de Caixa) não receberão nada além dos 9% de reajuste da FENABAN que a Caixa incorporou! O mesmo ocorre para os empregados da carreira profissional.
3)A “PLR social” não condiz com os lucros obtidos pela Caixa!
A direção da Caixa/Governo Dilma está se vangloriando de conceder uma “PLR social”, extraordinária aos empregados. Em primeiro lugar, é preciso dizer que nenhuma PLR pode ser socialmente referenciada, a não ser na lógica de lucro e acumulação do capitalismo. A PLR é um tipo de remuneração variável que intensifica ciranda de pressão por metas e resultados, uma vez que o patrão promete “dividir os lucros” com os trabalhadores. Mas nem assim a proposta da Caixa consegue dividir esses lucros de forma minimamente justa. Pela proposta, haverá uma divisão linear de 4% do lucro líquido, no entanto, só no primeiro semestre de 2011 a Caixa lucrou mais que todos os bancos de escala nacional: 36,4% (R$ 2,3 bilhões)! Foram os empregados que produziram esse lucro, com o suor do seu trabalho, e agora não podemos aceitar essa esmola!
4)Sobre isonomia e jornada de 6 horas, a resposta é mais uma vez o silêncio!
Não há NENHUMA proposta da Caixa sobre a isonomia ou à jornada de 6 horas sem redução salarial. Não podemos permitir que essas bandeiras, tão importantes, sirvam apenas de discurso nos períodos de pré-campanha salarial. Os bancários do BANPARÁ conseguiram avançar nesse sentido e arrancaram do banco 5 dias de licença prêmio. O lucro da Caixa é muito superior ao do BANPARÁ e temos totais condições de colocar essa questão na mesa. Devemos aproveitar a forte greve na Caixa para exigir que o Governo Dilma apresente alguma proposta em relação a estes temas.
5)A proposta da direção da Caixa sobre a contratação de 5 mil empregados não é séria!
Pela proposta da Caixa, a empresa se compromete a contratrar 5 mil empregados até dezembro de 2012. Já vimos esse filme antes. O Governo orienta suas estatais para prometer coisas a longo prazo, com data prevista posterior às campanha salariais das categorias e o resultado é que somos obrigados a fazer greve para obrigar o governo a cumprir suas promessas. Nós não queremos que a Campanha Salarial 2012 discuta o compromisso da Caixa em contratar 5 mil empregados até o fim do ano que vem, pois a campanha do próximo ano deve ser para avançar em mais conquistas. Além disso, o ritmo de trabalho infernal dentro das agências não permite mais esperar nada. Exigimos a contratação imediata dos empregados!
6)A proposta da Caixa sobre o REG/REPLAN não resolve a questão central
A Caixa não corrigiu as injustiças com o Reg/Replan, , pois os principais pontos que são a inclusao no novo PCS e no PFG continuam pendentes na justiça e os participantes do Reg/Replan discriminados pela Caixa.
Além disso, querem instalar os CCV's (Comissão de Conciliação Voluntária:
CCV para Inativos - a proposta prevê ainda a abertura de Comissão de Conciliação Voluntária (CCV) para inativos em todos os sindicatos e para qualquer assunto. Recentemente a Caixa assinou acordo para aplicação da comissão, a título de piloto, apenas com alguns sindicatos por prazo determinado (já vencido) e somente para discutir o Auxílio alimentação. Com a aceitação da proposta serão assinados novos aditivos com todos os sindicatos que desejarem, sem as atuais limitações.
CCV específica sobre 7ª e 8ª hora - pela proposta, a Caixa e a Contraf-CUT se comprometem a assinar, até 60 dias após a assinatura do acordo aditivo, um termo aditivo estendendo a CCV para os empresados da ativa que queiram reivindicar diretos referentes à 7ª e 8ª hora dos cargos de natureza técnica
Essas CCV’s na realidade são as mesmas CCP's que o governo implantou no Banco do Brasil, com o objetivo de se livrar das ações judiciais a partir de acordos rebaixados firmados com os empregados, através dos sindicatos. Agora, a CONTRAF/CUT tenta embutir no Acordo Coletivo algo semelhante para as principais ações judiciais que a Caixa tem perdido recorrentemente: Auxílio Alimentação para aposentados e 7ª e 8ª hora! Alertamos que a aceitação de um acordo contendo essas cláusulas não são conquistas dos trabalhadores, mas perda de direitos.
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